O que faz uma mãe quando o ninho fica vazio sem os filhotes? Come mais minhocas, finalmente escolhe o canal da tevê, escuta só o que prefere no rádio do carro? Sim! E tudo isso é ótimo. Mas e o vazio de não ter mais ninguém para cuidar?

Quando se segue em direção ao novo, um antigo sempre fica para trás. Em caso de mães, elas costumam ser o antigo que fica para trás. Mudança delicada.

Um filho que sai de casa é um momento de festa e luto, de partida e chegada. O novo e a saudade do velho se misturam como rio e mar numa alegria dolorida. Despedidas fazem parte dos embarques.

As lembranças, durante os preparativos, se dobram para caber na mala de quem vai. Mas sentam no sofá junto com quem fica também. Em épocas de ventania, lembranças são como peso de papel. Sustentam, dão coragem. Deixam firme, em pé, para recomeçar. É o que salva.

Na dor da separação, o corpo perde a força, a cabeça dói, a alma pesa vazia. Parece sintoma de doença, só que não. É o corpo reclamando da falta que sente. Num protesto de quem ainda quer abraçar, beijar a qualquer hora. E agora já não pode mais. Pelo menos não tanto quanto queria.

Uma saudade que entra como vento, não se sabe por que fresta. E passa gelando tudo. Num frio bem difícil de aquecer.

Ninho vazio é momento de luto, sim. Também de comemoração pelo dever cumprido. E orgulho pelos filhos que, bem criados, se lançam no primeiro grande voo sozinhos.

Momento de reorganizar a vida e recomeçar de uma nova forma. Agora, sem tantas responsabilidades, muito mais livre e animada. Há muito que preencher. Procure um bom recheio.

Vale tentar ir além das minhocas do dia a dia, experimentar voar para novos ares e temperos.

Ter ótimas novidades para contar, quando os filhos ligarem, é uma linda forma de amor.

Quer mais um dedo de prosa? Envie sua história, sugestões, dúvidas para monica.bayeh@extra.inf.br

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