Não sou eu que costuro o tempo
É o tempo que me costura
Me emenda em pequenas feridas
Me reprova qualquer frescura

Nem sempre o mesmo gosto
Nem sempre o que se afigura
Prefiro arregaçar as mangas
Ele exige abotoadura

Eu tento evitar mudanças
Ele me cobra aventura
Eu fechada em copas
Ele exige abertura

E me acrescenta bordados
Me recomenda brandura
Diz que vida tem que ser inteira
Não cabe abreviatura

Mônica Raouf El Bayeh

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