Ingrid Migliorini, 21 anos vai leiloar, pela segunda vez, sua virgindade. Quantas ela tem, afinal? Aparentemente só uma, como todos nós. Ela leiloou e desistiu no final. O ganhador, se sentindo lesado, podia até ter ido ao Procon contra ela. Afinal ele ganhou, mas não levou. Isso não é crime contra o consumidor?

Ingrid prefere ser chamada pelo nome fake de Catarina. O que mais será fake nessa história? E afirma nunca ter tido envolvimento sexual com ninguém! Guardou para leiloar? Que tino comercial bom o dessa moça! Ela cancelou o primeiro leilão pois desconfiou da honestidade do processo. Que tipo de pessoa ela imagina que vá participar de um leilão desses?

Não sou frequentadora de bordel. Mas acompanho novelas e já vi muitos leilões serem feitos. Entendo um pouco do assunto. Nada há de inovador nessa atitude, ao contrário. Estamos falando da profissão mais antiga do mundo. Tradicionalíssima. Só que ao invés de postar cartaz em poste e em orelhão, ela criou um site. Afinal. Marketing é a alma do negócio. De resto…

Engraçado é que em um tempo em que tudo é tão fácil e grátis, ainda tem alguém que pague por isso. E olha que estão pagando bem! Quanto vale uma virgindade? Quanto valeu a sua? Sentiu um certo remorso de ter dado de graça quando podia ter leiloado e ganho uma grana extra? Te faltou tino comercial na hora H? Ou você teve a exata percepção de que nem tudo está à venda na vida? Alma, honra, vida, desejos…lista enorme.

Virgindades nunca são dadas de graça. Na vida tudo tem seu preço. São dadas por amor? Ou como prova de amor? Quantas moças não sofrem esse tipo de pressão, ainda hoje? Caem nessa furada. Amor não se prova. Amor se ama, se respeita, se compreende. Quem cobra, não ama.

Outras querem se livrar da virgindade de qualquer jeito. Há siglas que demonstram a desvalorização do que é virgem: BV ( boca virgem), BVL (boca virgem de beijo de língua). E as exigências vão subindo até chegar à virgindade. É vergonha ser virgem? Não para todos, de acordo com Ingrid Catarina.

Virgindade não é doença, nem vergonha e nem lacre. Mas seria bom se pudesse ser tratada com a festa que todo início merece. Não de qualquer jeito, em qualquer canto, com qualquer pessoa. Bom começo dá impulso na caminhada. Se é que me entendem.

Me peguei pensando outro dia em virgindade, gravidez, postagens em internet, essas questões que nos assombram quando viramos pais. Descobri, com certo alívio, que não me importa se minha filha é virgem, se aparece grávida, se casa ou não. Vasculhei minhas emoções e não me envergonharia com isso. Os outros que se danem. Ninguém paga meu IPTU.

Tristeza, isso sim, teria e muita. O que me entristeceria muito seria o fato de perceber que eu falhei. Falhei em mostrar, ensinar o cuidado que se deve ter com a vida, com seu corpo, com seu destino. Falhei em explicar o quanto ela deve ter valor para ela mesma e buscar, com todo o cuidado, sua felicidade.

Quando a gente se presta a ser fácil como roupa no varal. Permite que o outro passe a mão e pegue, sem conquista, sem esforço. Não pode reclamar de, depois de usada, ser descartada no cesto de roupa suja. O valor que a gente tem é o valor que a gente se dá.

Acho que sexo não suja, ao contrário, limpa a alma. E que o prazer é de todos, mulheres e homens. Prazer também está em se valorizar. Em não se prestar a qualquer coisa. Em saber que tudo gera consequências e avaliar se realmente vale a pena.

Minha tristeza por essas meninas não é pela virgindade perdida. Mas pelo corpo emprestado a qualquer pessoa, de qualquer forma. Não é pela gravidez, mas pelo peso de responsabilidade que ela dá à sua vida. O corte entre ser livre e ser mãe que uma gravidez traz é inevitável e eterno.

Minha tristeza não pelas bundas e peitos de fora espalhados na internet. Mas pela falta de cuidado que ela teve com a sua imagem. O que protege a gente é o amor próprio. E, nesse caso, só se aprende sendo amado. Ou a duras penas, quando não pode ter sido.

Em épocas de desacertos virtuais, e suicídios filmados, fundamental é saber que tudo tem jeito. Falhas acontecem. Mas filhos precisam ficar vivos, mesmo que a gente esteja morrendo de raiva pelo que eles fizeram. Importante que eles saibam como são importantes para nós. E que vamos brigar muito, falar muito, gritar muito. Mas estamos juntos. E juntos vamos enfrentar e resolver.

A vida se pendura na gente e a gente se pendura nela. A vida sempre está por um fio. É esse mesmo fio que nos junta, nos aproxima e nos segura. Seja lá o que um filho faça, tudo é contornável, tudo passa, tudo se ajeita. De alguma forma a vida segue. E isso também é importante que eles saibam.

Meu desejo, a todos os filhos, é de que possam saber que vida é construída, feita e refeita a todo tempo. Enquanto houver vida, há jeito. E chance de recomeçar, sempre. Por maior que seja o estrago da besteira feita.

Sobre o leilão? Cada um sabe o preço que tem. Isso serve para tudo. Às vezes quando a gente vende o corpo, sem querer manda a alma de brinde.

Histórias e sugestões para elbayehmonic@yahoo.com.br

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